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Princípios Orientadores para UX Designers

Um User Experience Designer trabalha para tornar a interação com o sistema agradável, simples e significativa. Pois quanto mais gratificante for essa interação, mais tempo o usuário passa navegando e maiores as chances de gerar receita.

O UX Designer estuda a interface do ponto de vista do ser humano e basicamente não precisa de nenhuma linguagem de programação para fazer o seu trabalho. É preciso saber conceitos de ergonomia, usabilidade, arquitetura de informação e navegação.

Este campo de estudo é relativamente novo no Brasil, enquanto nos países de língua inglesa já esta em estágio avançado. O texto abaixo é a tradução de um artigo escrito por Whitney Hess consultora norte-americana sobre o tema. E pode ser acessado neste link.

"Princípios orientadores" são as crenças ou filosofias que orientam uma organização, equipe ou indivíduo na tomada de decisões, independentemente do projeto, recursos ou restrições.

Coletei e organizei em uma lista os princípios básicos para um user experience designer, e com isso encorajar comportamentos que acredito, são necessários  para tornar-se um profissional bem sucedido.

ESCLARECIMENTO: As listas tem por objetivo serem tanto coerentes quanto concisas. Apesar de certamente haver outras verdades universais que eu possa não ter notado, considero os princípios abaixo os mais importantes para o design de interface pensando no usuário e que são na maioria das vezes negligenciados.

5 Princípios básicos para o UX Designer

1. Entenda o problema antes de tentar resolvê-lo

Seu trabalho deve ter um propósito - identificar os problemas que o usuário esta encontrando na interação. Tenha certeza que você pode claramente por no papel a raiz deste problema antes de despender horas criando a interface. A verdadeira marca de um designer competente é a habilidade de responder o "por que". Não perca seu tempo resolvendo os problemas errados.

2. Não machuque ninguém

É seu trabalho proteger as pessoas e criar experiências positivas. No mínimo você deve assegurar que não esta causando dor. O mundo esta cheio de angústia - um dos seus objetivos é não contribuir para isso.

3. Faça as coisas simples e intuitivas

Deixe a complexidade para as dinâmicas familiares, relacionamentos e quebra-cabeças. As coisas que você cria devem ser fáceis de usar, aprender, encontrar e se adaptar. A intuição ocorre fora de nosso estado consciente, ao fazer com que as pessoas utilizem a intuição você reduz o esforço mental delas. Isso fará com que elas se sintam mais livres e provavelmente mais felizes.

4. Entenda que o usuário não é como você

O que é óbvio para você pode não ser para a outra pessoa. Nosso processamento mental e entendimento do mundo ao redor é diretamente afetado pela genética, religião, cultura, experiências  e educação. Existe uma pequena probabilidade de que as pessoas para as quais você esta criando o design tenham esse grupo de variáveis totalmente diferentes do seu. Não pense que você, intuitivamente entende as necessidades do cliente. Você acha que quantas pessoas realmente entendem a questão como você a vê?

5. Tenha empatia

Empatia é a habilidade de entender e compartilhar dos sentimentos e perspectivas das outras pessoas. Sai da sua caixa e tente com vontade entender o mundo através do ponto de vista das outras pessoas. Se algumas coisas não fizerem sentido para você, faça mais perguntas. Pergunte quantas vezes for necessário até entender essa diferença. Quando você finalmente entender o que faz as pessoas travarem e o porquê elas fazem o que fazem, você vai tornar o seu trabalho muito mais fácil. Se você não esta tentando melhorar a vida das pessoas, então o que você esta fazendo aqui?

20 Princípios orientadores do design com foco na experiência

1. Fique fora do caminho das pessoas

Quando alguém esta tentando fazer algo, ele esta em uma missão. Não interrompa desnecessariamente, não crie obstáculos a serem superados, apenas pavimente a estrada para que o trajeto seja fácil. Seus designs devem ter caminhos e objetivos claros, e devem permitir as pessoas completarem a tarefa com rapidez e liberdade.

2. Ofereça poucas opções

Quanto mais opções de escolha a pessoa têm mais difícil fica para ela escolher uma. Isto é o que Barry Schwartz chama de O Paradoxo da Escolha. Remova opções adicionais e focalize nas necessárias. Com isso os ganhos terão um impacto positivo.

3. Limite as distrações

É um mito a ideia de que as pessoas são multitarefa. Ou você caminha ou masca chiclete. As pessoas não conseguem fazer duas cosias simultaneamente; elas acabam prestando menos atenção em ambas as tarefas e a qualidade da interação diminui. Um design efetivo permite as pessoas focar nas tarefas à mão ao invés de terem a atenção dispersada por tarefas menos importantes. Desenvolva pensando em tarefas que devam ser cumpridas em sequência ao invés de serem concorrentes.

4. Agrupe tarefas relacionadas perto uma da outra

O layout é peça chave para criar experiências significativas e úteis. Ao escanear as informações da página, as pessoas analisam o que você pode fazer por elas e o que elas podem aproveitar do serviço disponibilizado. Para auxiliar neste processo de aprendizagem e motivar a interação, evite forçar as pessoas a ir e vir em áreas distintas para realizar uma única tarefa. O design deve ser pensado de maneira a organizar as características e conteúdos relacionados em blocos apropriados, e...

5. Crie uma hierarquia visual que corresponda as necessidades do usuário

... garantir aos elementos importantes maior destaque."Hierarquia Visual"é a combinação de diversas dimensões que ajudam no processamento das informações, como cor, tamanho, posição, contraste, forma, proximidade dos itens relacionados, etc. Nâo basta uma página ser bem organizada para ser facilmente escaneada, mas disposição da informação e funcionalidade deve imitar cenários do mundo real. Não coloque os itens mais utilizados um distante do outro.

6. Forneça um forte senso de informação

Pessoas não gostam de adivinhar. Quando elas navegam pelo site ou usam o produto elas não estão fazendo isso ao acaso, existe um propósito. Se, ao chegarem ao final do processo o resultado nem chegar perto do esperado, são grandes as chances de elas desistirem e irem para outro lugar.

7. Forneça sinais e pistas

Nunca deixe as pessoas perdidas. Sinais são um dos elementos mais importantes de qualquer experiência, especialmente no caso da internet onde existe um número infinito de caminhos que levam a todas as direções. O design deve manter as pessoas cientes de onde estão em relação ao processo geral, sempre de maneira clara e consistente. Se você mostrar a elas de onde vieram e para onde vão, elas terão a confiança para relaxar e seguir o trajeto.

8. Forneça o contexto

O contexto abre caminho para uma entrega bem sucedida. Comunicando a interação entre as partes, as pessoas ficam mais propensas a entender o significado do que estão fazendo. Certifique-se que o projeto é autossuficiente e não dificulte a experiência das pessoas exceto quando é inevitável por motivos de comunicação.

9. Evite jargões

Lembre-se que a experiência é sobre eles (os consumidores), não sobre você (o negócio). É como ir para outro país e esperar que a as pessoas de lá saibam o seu idioma, assim como falar com os visitantes usando os termos internos da empresa. Ou pior, criar expressões que façam você parecer espirituoso.

10. Faça as coisas de forma eficiente

Um objetivo primário para o design com foco na experiência é fazer com que as coisas sejam eficientes para o ser humano antes de fazê-las eficientes para o computador. Eficiência aumenta produtividade e reduz esforços. Um design pensado permite que mais coisas sejam feitas no mesmo período de tempo. Criar com isso em mente demonstra um grande cuidado e respeito com o cliente, e tenha certeza que eles vão notar isso.

11. Use padrões adequados

Oferecer opções pré-selecionadas ou pré-definidas é uma das maneiras de diminuir a necessidade de tomada de decisão e aumenta a eficiência. Mas escolha sabiamente: se você definir por padrão as opções erradas (o que significa que a maioria das pessoas é forçada a mudar a seleção), você estará criando mais estresse e tornando mais demorada a interação.

12. Use restrições adequadamente

Prevenir erros é bem melhor do que corrigi-los. Se você sabe de antemão que existem certas restrições para a inserção dos dados ou um beco sem saída, evite que as pessoas sigam pelo caminho errado. Indicando proativamente o que não é possível fazer, você ajuda a estabelecer o que é possível e guia as pessoas para interações bem sucedidas. Mas assegure-se de que as restrições valem a pena - não adicione limitações apenas para facilitar as coisas para a máquina.

13. Permita que as ações sejam reversíveis

Não existe design perfeito. Ninguém e nada pode prever todos os erros, então você precisa de um plano de contingência. Garanta que se a pessoa cometer erros (seja porque entendeu mal as instruções, digitou incorretamente ou foi enganada por você) ela possa facilmente corrigi-los. Desfazer é provavelmente o controle mais poderoso que você pode fornecer as pessoas - bom seria se tivéssemos um botão de desfazer na vida real.

14. Reduza o tempo de espera

Ninguém gosta de esperar. Faça o possível para responder rapidamente as requisições das pessoas ou do contrário elas podem pensar que você não esta ouvindo. E se elas inevitavelmente precisarem esperar...

15. Ofereça retorno

... informe o por que estão esperando. Diga a elas no que você esta trabalhando. Diga a elas que você ouviu e informe o próximo passo no processo. Design não é um monólogo, é uma conversação.

16. Use emoções

Facilidade de uso não é a única forma de medir se uma experiência foi positiva; contentamento também é importante. Algo pode ser incrivelmente simples, mas se for muito chato é difícil de completar. Designs deveriam esbanjar calor, carinho, capricho, riqueza, sedução, inteligência - qualquer coisa que incite paixão e faça as pessoas sentirem-se energizadas e envolvidas.

17. Menos é mais

Isso não é sobre minimalismo, mas é importante ter certeza que tudo no design tenha um propósito. Algumas coisas são puramente funcionais; outras são puramente estéticas. Mas se elas não estão adicionando algo de positivo para a experiência, então tire. Reduza o design ao fundamental e as pessoas irão achar o caminho bem mais fácil com os espaços em branco.

18. Seja consistente

Mecanismos de navegação, estruturas organizacionais e metáforas são usados para fazer o design mais previsível e confiável. Quando as coisas não coincidem entre diferentes áreas, a experiência fica desarticulada, confusa e desconfortável. As pessoas vão começar a se questionar se não estão entendendo o funcionamento ou perderam algo. Consistência implica estabilidade e pessoas sempre querem sentir que estão em boas mãos.

19. Faça uma boa primeira impressão

Você não terá uma segunda chance! O design de uma interface digital não difere das regras usadas para conduzir um relacionamento. Você quer fazer as pessoas sentirem-se confortáveis no primeiro encontro, você quer definir com clareza as expectativas sobre o que você pode e não pode oferecer. Você quer que o processo seja suave, quer ser atraente, forte e sensível. Finalmente você quer garantir que elas podem ver-se com você por um longo tempo.

20. Seja crível e de confiança

É difícil nos dias de hoje dizer em quem você pode confiar, então a única forma de ganhar a confiança do usuário é merecê-la - faça o que você disse que faria, não prometa de mais e faça de menos, não venda alguém para cumprir um objetivo. Se você definir as expectativas das pessoas de forma apropriada e as satisfizer por um tempo significativo, você terá uma margem para manobras significativamente maior do que se você simplesmente frustrasse as expectativas.

Os princípios acima são gerais e podem ser aplicados em diversos tipos de experiências. Contudo, alguns produtos requerem diretivas mais especificas devido a um público direcionado ou aos objetivos da marca. Abaixo estão exemplos dos Princípios Orientadores utilizados por grandes organizações. Utilize-os como inspiração, mas não pense que simplesmente seguindo as mesmas instruções você conseguirá repetir o resultado.

Principios de UX Design em Grandes Organizações

 * IBM Design Principles
* Google User Experience
* Windows User Experience Design Principles
* Facebook Design Principles
* Nokia's Mobile Design Guidelines
* U.S. Government's guidelines for user-centered design on Usability.gov

Material para pesquisa

    * Dieter Rams' 10 Principles for Good Design
    * Jakob Nielsen's 10 Heuristics for User Interface Design
    * AskTog's First Principles of Interaction Design
    * Carsonified's 10 User Interface Fundamentals
    * Fred Beeche's Nine Essential Characteristics of Good UX Designers
    * Keith Lang's Top 10 UX Myths


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